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Meu nome é Abílio. Nasci em Belém do Pará, 1989,numa tarde ensolarada e preguiçosa após o almoço. Talvez por isso não consiga prestar atenção em algo por muito tempo. Estudo Comunicação Social e gosto de escrever. Ponto. Adoro terminar coisas assim.

Se quiseres escrever-me

casos

abiliodantasneto — 12-09-2008 GTM 1 @ 01:55

fazia um 4 com as pernas
que era uma beleza...
inda mais depois das 4
e em cima da mesa

mãos

abiliodantasneto — 12-09-2008 GTM 1 @ 01:39

Tudo são espelhos:

As portas do ônibus
As poças na rua
Os olhos dos homens
As luas

As mãos nunca frias
e nuas...
amor

lava

abiliodantasneto — 10-09-2008 GTM 1 @ 20:18

Como se o suor
viesse
da minha cabeça
e as unhas
se soltassem
nas panelas,
sinto minha pele
pedir mais
do que pode
a podridão
das horas

Versos

abiliodantasneto — 06-09-2008 GTM 1 @ 12:56

O melhor jeito
de chegar é o dela.
Capaz de quebrar a tranca.
E se houvesse janela,
de par em par
estragar a pintura.

cOISAS

abiliodantasneto — 04-09-2008 GTM 1 @ 23:05

Pois é, eu disse
Mas devia era ter dito nada

Só silêncio
no coletivo

Tem Chiclete?
Não

Não

Até o fim da viagem

HOMEM É ATROPELADO NA AVENIDA E MORRE DE OLHOS ABERTOS, SORRINDO.

abiliodantasneto — 12-08-2008 GTM 1 @ 11:50


Motorista alega não ter visto a vítima, mas os passageiros e pedestres presentes no acidente o acusam de irregularidade.

As mulheres nunca andam do mesmo jeito. Olha aquela ali. Parece que vive jogando ping-pong pelo modo dos braços balançarem. E as pernas sempre em espiral, de forma a não deixarem saber se sobem ou descem enquanto andam. Uma espécie de escada em movimento, indo e vindo, acima e abaixo, no ritmo da bola, pelo peso da raquete.
Passa por nós como um carrinho de supermercado. Interessante isso. Algumas mulheres parecem voar quando chegam perto. Apertam o passo, desesperadas, e no fundo nos enquadram em sua visão periférica. Nós sabemos. Esta faz que não quer, mas quer que a sigamos com os olhos até descolar as retinas ou mostrar os ossos do pescoço. Quer sentir nossos troncos voltando-se, sedentos, para vê-la seguir, para admirar seu gingado natural cruzando a tarde. Quer tudo enquanto as rodinhas deslizam no chão lustrado.
Não é do tipo que deixa cair bilhetinhos em sua passagem, mas por via das dúvidas olhamos sérios para os seus dedos e sua bolsa. Nunca se sabe. Nada é impossível. Ainda mais quando se trata de uma mulher, que além de linda, caminha como se jogasse ping-pong. Talvez o seu salto quebre quando pisar naquele pau entre a calçada e a rua, sobre a vala. Talvez os dois saltos quebrem. Já pensou, ter que ajudá-la por uma boa causa, fazer-se de bom cidadão prestativo? Nada mal. E depois de junta-lá, levá-la pelas mãos até um posto de saúde e pedir ao enfermeiro: posso, eu mesmo, passar a pomada?
São apenas alguns segundos. Dois, eu acho. Os pés vão firmes, objetivos, nem esboçam sinais de curvas ou paradas repentinas ou mudanças de destino impulsivas. Dois pés caretas. Acho que até um pouco chatos, ou muito chatos, em todos os sentidos. Pés de imperador impotente, marchando pra guerra, fugindo da imperatriz. Nos dois segundos que passam nos deixam loucos. O esmalte descascando no dedão direito tem um charme inexplicável. O joanete saliente dá um tom de esforço e força. Até o dedinho sem unha, que quase não se deixa ver.
Sempre cada uma do seu jeito. Olha aquela outra, vindo na nossa direção. Corpo cem por cento despreocupado. Aparentemente, totalmente aberta ao amor. Vem de sorriso aberto, espontâneo. Vem sussurando algum nome no sorriso. Dessas pra gente casar, meu amigo. Uma casa, uma praia, um abraço. Tanto que eu nem pensei muito em tudo o que eu vi, porque eu não tinha nada pra pensar. E essa sim. Essa sim me faz virar o tronco, entregue por inteiro. Sem querer saber seu rumo ou inventar metáforas para o seu andar. Acompanhando o cheiro e a cor da sua passagem e indo atrás. Flutuando na calçada, pisando nas poças de lama. Sem me importar com quantos segundos o mundo dura. Ou com quantas mulheres andam assim.
Sem me importar, sequer, com os ônibus loucos que avançam sinais nos fins de tarde.